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Protocolo Pollock 7 Dobras: Guia Completo Com Cálculo e Pontos de Medição

Koat ·

Protocolo Pollock 7 Dobras: Guia Completo Com Cálculo e Pontos de Medição

O protocolo Pollock 7 dobras é um dos métodos mais utilizados no mundo para estimar o percentual de gordura corporal por meio da adipometria. Se você é personal trainer ou estudante de educação física, dominar esse protocolo é obrigatório — ele é preciso, acessível e amplamente validado pela literatura científica.

Neste guia completo, vamos cobrir tudo: o que é o protocolo, quais são os 7 pontos de medição, as fórmulas para homens e mulheres, os erros mais comuns e como automatizar os cálculos na sua rotina profissional.

O Que é o Protocolo Pollock 7 Dobras?

O protocolo foi desenvolvido por Michael L. Pollock e colaboradores (Jackson & Pollock, 1978, e Jackson, Pollock & Ward, 1980) como um método de estimativa da densidade corporal a partir da medição de dobras cutâneas com um adipômetro.

A lógica é simples: a gordura subcutânea (aquela que fica entre a pele e o músculo) representa uma proporção relativamente constante da gordura total do corpo. Ao medir a espessura dessa camada em pontos estratégicos, é possível estimar a densidade corporal e, a partir dela, o percentual de gordura.

Por Que 7 Dobras?

Pollock desenvolveu versões com 3, 4 e 7 dobras. A versão de 7 dobras é a mais completa porque:

  • Cobre todas as regiões do corpo — tronco, membros superiores e inferiores
  • Reduz o erro de estimativa — mais pontos de medição geram mais precisão
  • É mais sensível a mudanças regionais — se o aluno perde gordura na região abdominal mas não na coxa, o protocolo de 7 dobras captura isso

Para avaliações de rotina em academia ou consultório, o protocolo de 7 dobras é o padrão-ouro da adipometria.

Os 7 Pontos de Medição

Cada dobra deve ser medida no lado direito do corpo, com o avaliado em pé e relaxado. O avaliador pinça a dobra com os dedos polegar e indicador da mão esquerda e posiciona o adipômetro com a mão direita, aproximadamente 1 cm abaixo dos dedos.

1. Peitoral (Torácica)

  • Homens: Dobra diagonal, no ponto médio entre a linha axilar anterior e o mamilo.
  • Mulheres: Dobra diagonal, a 1/3 da distância entre a linha axilar anterior e o mamilo (mais próxima da axila).

Dica: Este é um dos pontos que mais gera desconforto, especialmente em mulheres. Explique o procedimento antes e peça autorização.

2. Axilar Média (Midaxilar)

  • Localização: Dobra vertical na linha axilar média, na altura do processo xifoide do esterno (a "ponta" do osso do peito).
  • Referência prática: Peça ao aluno que levante o braço. Localize a linha média da axila e desça até a altura do xifoide.

3. Subescapular

  • Localização: Dobra diagonal (ângulo de ~45°), 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula.
  • Referência prática: Peça ao aluno que relaxe os ombros. Localize a ponta inferior da escápula com os dedos e posicione a pinça logo abaixo, em diagonal.

4. Tricipital

  • Localização: Dobra vertical na face posterior do braço, no ponto médio entre o processo acromial (ombro) e o olécrano (cotovelo).
  • Referência prática: Com o braço relaxado ao lado do corpo, encontre o meio do braço entre o ombro e o cotovelo. A dobra é vertical.

5. Suprailíaca

  • Localização: Dobra diagonal, logo acima da crista ilíaca (osso do quadril), na linha axilar anterior.
  • Referência prática: Peça ao aluno que coloque a mão na cintura. A crista ilíaca é o osso que você sente. A dobra é pinçada logo acima, em diagonal.

6. Abdominal

  • Localização: Dobra vertical, aproximadamente 2 cm à direita da cicatriz umbilical.
  • Referência prática: Localize o umbigo e vá 2 cm para a direita. A dobra é vertical. Peça ao aluno que relaxe completamente o abdômen.

Dica: Este é geralmente o ponto com maior variabilidade entre medições. Pratique bastante.

7. Coxa Medial (Femoral)

  • Localização: Dobra vertical no ponto médio entre a dobra inguinal (virilha) e a borda superior da patela (joelho).
  • Referência prática: Com o aluno sentado ou com o peso apoiado na perna esquerda, localize o meio da coxa e faça uma dobra vertical.

Resumo dos Pontos

# Dobra Direção Referência Anatômica
1 Peitoral Diagonal Entre axilar anterior e mamilo
2 Axilar média Vertical Linha axilar média, altura do xifoide
3 Subescapular Diagonal (45°) Abaixo do ângulo inferior da escápula
4 Tricipital Vertical Ponto médio do braço posterior
5 Suprailíaca Diagonal Acima da crista ilíaca
6 Abdominal Vertical 2 cm à direita do umbigo
7 Coxa medial Vertical Ponto médio da coxa anterior

Fórmulas do Protocolo Pollock 7 Dobras

O protocolo utiliza equações de regressão para estimar a densidade corporal a partir da soma das 7 dobras. A partir da densidade, calcula-se o percentual de gordura pela equação de Siri.

Passo 1: Somar as 7 Dobras

S = soma das 7 dobras cutâneas (em mm)

Passo 2: Calcular a Densidade Corporal

Para homens (Jackson & Pollock, 1978):

DC = 1,11200000 – 0,00043499 × (S) + 0,00000055 × (S²) – 0,00028826 × (idade)

Para mulheres (Jackson, Pollock & Ward, 1980):

DC = 1,09700000 – 0,00046971 × (S) + 0,00000056 × (S²) – 0,00012828 × (idade)

Onde:
- DC = Densidade corporal (g/ml)
- S = Soma das 7 dobras (mm)
- Idade = Idade em anos

Passo 3: Calcular o Percentual de Gordura (Equação de Siri)

%G = [(4,95 / DC) – 4,50] × 100

Exemplo Prático

Homem, 30 anos, com as seguintes dobras (em mm):

Dobra Valor (mm)
Peitoral 12
Axilar média 14
Subescapular 16
Tricipital 10
Suprailíaca 18
Abdominal 22
Coxa medial 15
Soma (S) 107

Cálculo da densidade:

DC = 1,11200000 – 0,00043499 × (107) + 0,00000055 × (107²) – 0,00028826 × (30)
DC = 1,11200000 – 0,04654393 + 0,00629255 – 0,00864780
DC = 1,06310082

Cálculo do percentual de gordura:

%G = [(4,95 / 1,06310082) – 4,50] × 100
%G = [4,6561 – 4,50] × 100
%G ≈ 15,6%

Este homem teria um percentual de gordura estimado em 15,6%, classificado como "bom" para a faixa etária.

Classificação do Percentual de Gordura

Após calcular o %G, use as tabelas de referência para contextualizar o resultado:

Homens

Classificação 18-25 anos 26-35 anos 36-45 anos 46-55 anos 56-65 anos
Excelente < 8% < 10% < 12% < 14% < 15%
Bom 8-13% 10-15% 12-17% 14-19% 15-20%
Acima da média 13-17% 15-19% 17-21% 19-23% 20-24%
Média 17-20% 19-22% 21-24% 23-26% 24-27%
Abaixo da média > 20% > 22% > 24% > 26% > 27%

Mulheres

Classificação 18-25 anos 26-35 anos 36-45 anos 46-55 anos 56-65 anos
Excelente < 16% < 17% < 19% < 22% < 23%
Bom 16-20% 17-21% 19-24% 22-27% 23-28%
Acima da média 20-24% 21-25% 24-28% 27-31% 28-32%
Média 24-28% 25-29% 28-32% 31-35% 32-36%
Abaixo da média > 28% > 29% > 32% > 35% > 36%

Valores de referência adaptados de Pollock & Wilmore (1993).

Erros Comuns na Medição de Dobras Cutâneas

A precisão do protocolo Pollock 7 dobras depende diretamente da técnica do avaliador. Estes são os erros mais frequentes:

1. Ponto de Medição Incorreto

Cada dobra tem um ponto anatômico específico. Medir 2 cm acima ou abaixo do ponto correto pode alterar significativamente o valor. Solução: Estude a anatomia, marque os pontos com caneta dermográfica antes de medir.

2. Pinçamento Inadequado

A dobra deve incluir apenas pele e tecido adiposo subcutâneo, nunca músculo. Se você sentir resistência muscular, está pinçando fundo demais. Solução: Peça ao aluno que relaxe a região e pinçe com firmeza, mas sem profundidade excessiva.

3. Leitura Prematura ou Tardia

O adipômetro deve ser lido 2 a 3 segundos após posicionar as hastes. Ler antes disso captura a compressão do tecido, e esperar demais leva a uma leitura reduzida pela dispersão da gordura. Solução: Conte mentalmente "mil e um, mil e dois" e leia.

4. Adipômetro Descalibrado

Adipômetros clínicos (Cescorf, Lange, Harpenden) precisam de manutenção e calibração periódica. Modelos muito baratos ou de plástico não têm pressão constante nas hastes e geram valores inconsistentes. Solução: Invista em um adipômetro de qualidade e verifique a calibração regularmente.

5. Condições Inconsistentes Entre Avaliações

Para que a comparação entre avaliações seja válida, as condições devem ser as mesmas:

  • Mesmo avaliador
  • Mesmo adipômetro
  • Mesmo horário do dia (preferencialmente de manhã)
  • Aluno hidratado, sem treino prévio
  • Mesma sequência de medição

6. Não Fazer Três Medidas

A recomendação é fazer três medidas de cada ponto e utilizar a mediana (o valor do meio). Uma única medida não é confiável. Se a diferença entre as três medidas for maior que 2mm, repita até obter consistência.

7. Calcular Manualmente e Errar

Vamos ser honestos: as fórmulas do Pollock têm muitas casas decimais. Fazer o cálculo na mão ou na calculadora do celular é pedir para errar. É aqui que a tecnologia ajuda.

Como Automatizar o Protocolo Pollock 7 Dobras

Você não precisa — e não deveria — fazer esses cálculos manualmente em 2026. Existem ferramentas que automatizam todo o processo.

O Koat, por exemplo, tem o protocolo Pollock 7 dobras integrado na funcionalidade de avaliação física. O fluxo é simples:

  1. Você insere as 7 medidas de dobras cutâneas
  2. O sistema calcula automaticamente a densidade corporal, o percentual de gordura, a massa gorda e a massa magra
  3. Os resultados são armazenados no histórico do aluno
  4. Gráficos de evolução são gerados automaticamente para cada reavaliação

Isso elimina erros de cálculo, economiza tempo e — talvez o mais importante — permite que você apresente os resultados de forma visual e profissional para o aluno.

Imagine mostrar ao seu aluno um gráfico onde o percentual de gordura caiu de 25% para 19% em 4 meses, com cada ponto representando uma avaliação. O impacto motivacional é enorme.

Quando Usar o Protocolo Pollock 7 Dobras

O protocolo é indicado para:

  • Avaliação inicial de novos alunos
  • Reavaliações periódicas (a cada 30-90 dias)
  • Acompanhamento de programas de emagrecimento ou recomposição corporal
  • Populações gerais (18 a 61 anos — a faixa etária validada no estudo original)

O protocolo não é ideal para:

  • Indivíduos com obesidade severa — a dobra pode ser difícil de pinçar e o erro de estimativa aumenta
  • Atletas de elite — métodos como DEXA ou pesagem hidrostática são mais precisos para populações com muito pouca gordura
  • Crianças e adolescentes — existem protocolos específicos (Slaughter, por exemplo)
  • Idosos acima de 61 anos — a equação não foi validada para esta faixa

Protocolo de 7 Dobras vs. 3 Dobras: Qual Escolher?

O protocolo de 3 dobras (Pollock simplificado) utiliza:
- Homens: Peitoral, abdominal e coxa
- Mulheres: Tricipital, suprailíaca e coxa

Vantagens do 3 dobras: Mais rápido, menos invasivo, bom para triagens.

Vantagens do 7 dobras: Mais preciso, capta mudanças regionais, padrão-ouro da adipometria de campo.

Nossa recomendação: Use o protocolo de 7 dobras sempre que possível. A diferença de tempo é mínima (3-5 minutos a mais) e a qualidade da informação é muito superior. Reserve o de 3 dobras para situações onde o tempo é realmente limitado ou o aluno está desconfortável com muitas medições.

Conclusão

O protocolo Pollock 7 dobras continua sendo uma das ferramentas mais valiosas no arsenal do personal trainer. É acessível (basta um adipômetro e conhecimento técnico), validado cientificamente e prático o suficiente para usar na rotina diária.

O segredo está na técnica consistente e na interpretação inteligente dos resultados. Pratique os pontos de medição até que se tornem automáticos, siga as boas práticas que descrevemos e use ferramentas digitais como o Koat para eliminar erros de cálculo e impressionar seus alunos com gráficos de evolução.

Seus alunos não querem ouvir números abstratos — querem ver, de forma clara e visual, que o esforço deles está valendo a pena. O protocolo Pollock, bem executado e bem apresentado, entrega exatamente isso.

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