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Como Trabalhar Como Personal Trainer Online: Guia Prático Para Começar do Zero

Koat ·

Se você quer saber como trabalhar como personal trainer online, provavelmente já percebeu que o modelo presencial tem um teto. Você troca hora por dinheiro, depende de deslocamento, e se ficar doente ou tirar férias, a receita para.

O modelo online resolve esses problemas — mas não é simplesmente "fazer a mesma coisa pelo celular". Exige uma mudança de mentalidade, processos diferentes e ferramentas adequadas.

Este guia cobre tudo que você precisa para começar do zero e escalar com qualidade.

Requisitos legais: o que você precisa antes de começar

Antes de abrir o Instagram e sair vendendo consultoria, resolva a parte burocrática. Não é complicado, mas é inegociável.

CREF ativo

Para atuar como personal trainer — presencial ou online — você precisa de registro ativo no Conselho Regional de Educação Física. Isso vale para qualquer modalidade de prescrição de exercícios.

O CREF fiscaliza inclusive profissionais que atuam online. Já houve casos de notificação a profissionais sem registro que vendiam programas de treino pela internet.

Custo médio: R$ 300-500/ano dependendo da região.

MEI ou ME

Para emitir notas fiscais e receber pagamentos de forma regular, você precisa de um CNPJ.

MEI (Microempreendedor Individual): É a opção mais simples para quem está começando.

  • Faturamento máximo: R$ 81.000/ano (R$ 6.750/mês)
  • Custo fixo: ~R$ 75/mês (DAS)
  • Limitação: apenas 1 funcionário

ME (Microempresa) no Simples Nacional: Para quem já fatura acima do limite do MEI.

  • Faturamento até R$ 360.000/ano
  • Impostos proporcionais ao faturamento (6-15%)
  • Permite contratar funcionários

Dica prática: Comece como MEI. Quando ultrapassar o limite de faturamento — e com o modelo online, isso pode acontecer mais rápido do que você imagina — migre para ME com ajuda de um contador.

Contrato de prestação de serviços

Mesmo online, tenha um contrato. Ele protege você e o aluno. Inclua:

  • Descrição do serviço prestado
  • Duração e condições de cancelamento
  • Isenção de responsabilidade por uso inadequado dos treinos
  • Política de reembolso
  • Consentimento para uso de dados e imagens (se aplicável)

Modelos prontos custam R$ 100-200 com um advogado. Investimento que evita dor de cabeça.

Construindo sua oferta: o que você vai entregar

"Treino online" é genérico demais. Você precisa definir exatamente o que o aluno recebe.

Nível 1: Programa de treino (ticket mais baixo)

  • Treino personalizado baseado em anamnese
  • Ajustes mensais
  • Suporte por mensagem (horário comercial)
  • Faixa de preço: R$ 150-250/mês
  • Capacidade: 50-80 alunos

Nível 2: Consultoria com acompanhamento (ticket médio)

  • Tudo do Nível 1, mais:
  • Check-ins quinzenais (texto ou áudio)
  • Análise de vídeos de execução
  • Ajustes de carga baseados em dados
  • Faixa de preço: R$ 250-400/mês
  • Capacidade: 30-50 alunos

Nível 3: Mentoria premium (ticket alto)

  • Tudo do Nível 2, mais:
  • Chamadas de vídeo semanais ou quinzenais
  • Acompanhamento nutricional básico (ou parceria com nutricionista)
  • Acesso prioritário por WhatsApp
  • Faixa de preço: R$ 400-800/mês
  • Capacidade: 10-20 alunos

Recomendação: Comece com o Nível 2. É o sweet spot entre entrega de valor, tempo investido e margem de lucro. Você pode oferecer o Nível 3 como upsell para alunos que querem mais.

Seu stack tecnológico mínimo

Você não precisa de 15 ferramentas. Precisa de poucas, bem escolhidas.

Essencial (dia 1)

  1. App de prescrição de treinos: É o coração da operação. O aluno precisa acessar treinos, ver demonstrações e registrar execução em um lugar só. O Koat faz isso com uma experiência limpa tanto para o personal quanto para o aluno.

  2. WhatsApp Business: Para comunicação inicial, vendas e suporte rápido. A versão Business permite respostas automáticas e etiquetas para organizar leads.

  3. Plataforma de pagamento: Asaas, Stripe ou PagSeguro para cobranças recorrentes automáticas.

Importante (primeiros 3 meses)

  1. Google Agenda ou Calendly: Para agendar check-ins e chamadas sem trocar 20 mensagens.

  2. Canva: Para criar conteúdo visual para Instagram e materiais para alunos.

  3. Google Forms ou Typeform: Para anamnese e formulários de avaliação estruturados.

Opcional (quando escalar)

  1. Ferramenta de e-mail marketing: Para nutrição de leads e comunicação em massa.
  2. Notion ou Trello: Para gestão de processos internos.

Investimento total no mínimo: R$ 50-150/mês. Algumas ferramentas são gratuitas, outras têm planos acessíveis. Compare isso com o custo de aluguel de espaço para treino presencial.

Escalando de 5 para 50 alunos sem perder qualidade

Essa é a parte que separa quem tem um hobby de quem tem um negócio.

Com 5 alunos: fase de aprendizado

Nessa fase, tudo é manual e tudo bem. Você está aprendendo:

  • Quanto tempo cada etapa leva
  • Quais perguntas os alunos fazem
  • Onde estão os gargalos do seu processo
  • O que funciona e o que não funciona na sua comunicação

Foco: Validar seu processo e conseguir resultados (e depoimentos) dos primeiros alunos.

Com 10-20 alunos: fase de sistematização

Aqui começa a apertar. Se você não sistematizar, vai virar refém do WhatsApp.

O que fazer:

  • Crie templates de treino para perfis comuns (iniciante hipertrofia, intermediário emagrecimento, etc.). Personalize a partir do template em vez de criar do zero.
  • Padronize o onboarding: Formulário de anamnese → análise → prescrição → mensagem de boas-vindas. Mesmo fluxo para todo mundo.
  • Defina horários de resposta: Ex: "Respondo mensagens às 9h e às 17h". Isso evita interrupções o dia todo.
  • Use o app para o que é do app: Treino no app, comunicação de rotina no app. WhatsApp só para urgências.

Com 20-35 alunos: fase de otimização

Seu tempo por aluno precisa cair sem que a qualidade caia. Isso exige:

  • Automação de cobranças: Zero tempo gasto com "mandei o Pix, vê aí"
  • Biblioteca de conteúdo: Vídeos de execução, guias de aquecimento, FAQs — coisas que você explica repetidamente viram conteúdo reutilizável
  • Check-ins estruturados: Em vez de perguntar "como foi a semana?", envie um formulário com perguntas específicas que geram respostas úteis

Com 35-50 alunos: fase de delegação ou limite

A maioria dos personais online solo consegue atender 35-50 alunos com qualidade no Nível 2. Acima disso, você tem duas opções:

  1. Aumentar o ticket e reduzir o número: Atenda menos alunos por um valor maior
  2. Contratar assistente: Um estagiário de educação física pode ajudar com tarefas operacionais (organizar formulários, montar treinos a partir dos seus templates)

O número mágico: 30-40 alunos a R$ 300/mês = R$ 9.000-12.000/mês de faturamento, trabalhando 4-5 horas por dia. É um negócio viável e sustentável.

7 erros comuns na transição do presencial para o online

1. Achar que online é "presencial sem estar lá"

O modelo é fundamentalmente diferente. No presencial, você é o motivador, o corretor e o companheiro de treino. No online, você é o estrategista e o orientador. Aceite a mudança de papel.

2. Não investir em conteúdo

No presencial, seus alunos te veem todo dia. No online, se você não produz conteúdo, você não existe. Conteúdo é seu cartão de visitas permanente.

3. Cobrar muito barato para "compensar" a falta do presencial

Seu tempo de estudo, experiência e qualidade de prescrição não mudam porque o atendimento é online. Não dê desconto na sua competência.

4. Não ter processo de onboarding

Mandar treino no primeiro dia sem avaliação é como um médico receitar remédio sem consulta. Parece rápido, mas gera churn e resultados ruins.

5. Tentar atender todo mundo

Defina seu nicho: hipertrofia para iniciantes? Emagrecimento para mulheres 30+? Treino para corredores? Quanto mais específico, mais fácil atrair e reter o público certo.

6. Ignorar métricas

Se você não sabe sua taxa de retenção, tempo médio de permanência dos alunos e custo de aquisição, está dirigindo no escuro. Acompanhe pelo menos:

  • Churn mensal: Quantos alunos saem por mês? Abaixo de 5% é bom.
  • Tempo médio de permanência: Acima de 6 meses indica boa entrega.
  • NPS ou satisfação: Pergunte trimestralmente.

7. Usar ferramentas amadoras

PDFs, planilhas do Google Sheets e áudios de WhatsApp passam uma imagem que não condiz com um serviço profissional. A ferramenta que o aluno usa é a vitrine do seu trabalho.

Plano de ação: seus primeiros 30 dias

Semana 1: Estrutura
- Regularize CREF e MEI (se ainda não tem)
- Defina sua oferta (nível de serviço e preço)
- Configure app de treinos e plataforma de pagamento

Semana 2: Processo
- Crie formulário de anamnese
- Monte 3 templates de treino para seus perfis mais comuns
- Escreva seu contrato de prestação de serviços
- Defina política de comunicação (horários, canais, tempo de resposta)

Semana 3: Captação
- Anuncie para sua base existente (Instagram, WhatsApp, ex-alunos presenciais)
- Ofereça condição especial para os primeiros 5-10 alunos
- Peça para alunos presenciais indicarem amigos de outras cidades

Semana 4: Execução
- Faça onboarding dos primeiros alunos com atenção total
- Documente o que funcionou e o que precisa ajustar
- Colete os primeiros feedbacks

O modelo online não é mais fácil que o presencial. É diferente. Exige mais organização, mais processos e mais disciplina com comunicação. Mas oferece algo que o presencial não oferece: liberdade geográfica, escala real e uma margem de lucro significativamente maior.


Pronto para montar sua operação online com a ferramenta certa? Conheça o Koat — o app que personal trainers usam para prescrever treinos, acompanhar alunos e crescer no digital.

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